quinta-feira, 20 de junho de 2013

FEIJÃO SEM TEMPERO - Por Luciano Blandy


Imaginem a seguinte situação, com dois desfechos possíveis e suas conseqüências prováveis:

Um marido chega em casa após o trabalho, senta à mesa e a esposa lhe serve o jantar. Após dar uma garfada no feijão, o marido reclama que está sem sal, então se levanta e aplica um direto de esquerda no rosto da mulher. Enquanto ela tenta entender o que aconteceu, o marido começa a berrar:

 - Não é só por causa do feijão sem sal! É por você me trair todo dia com o porteiro do prédio. É por você tirar dinheiro da minha carteira quando eu estou dormindo. É por você ter batido meu carro!

1º Desfecho:

A mulher corre ao telefone e aciona a polícia. O marido é conduzido à delegacia, onde relata as traições, furtos e prejuízos ao delegado mas é preso mesmo assim. Após sair da cadeia, põe a mulher na rua e pede-lhe o divórcio. Como conseqüência, ele busca uma nova companheira que lhe seja fiel, que não lhe furte e que construa com ele um patrimônio sólido. A ex-mulher, nunca mais o procura, porque a agressão física tornou a relação dos dois insustentável e, também, porque passou a temer a violência do homem a quem considerava um trouxa.

2º Desfecho:
A mulher calmamente recolhe seus dentes da mesa, pega o prato do marido, joga a comida no lixo e a substitui por outra, com o feijão temperado do jeito que ele gosta, pedindo desculpas pelo esquecimento. Os dois comem, vão para o quarto, deitam lado a lado e dormem juntos como se nada tivesse acontecido. Como conseqüência, a mulher continuará traindo o marido com o porteiro do prédio e também resolverá dar mais atenção ao vizinho, que sempre lança olhares indiscretos a ela. Além de tirar dinheiro da carteira do marido quando ele dorme, passará a fazer um pequeno fundo de reserva no banco, superfaturando as despesas com mercado. Entretanto, nunca se esquece de temperar o feijão do jantar evitando, assim, nova reação violenta.

Moral da história: Alguns limites nunca devem ser ultrapassados. Não há meios de se voltar atrás, depois que certos passos são dados.

Nos últimos dias, o que começou como uma manifestação de um grupelho radical por uma redução de R$ 0,20 no preço da passagem de ônibus em São Paulo, converteu-se naquilo que já é considerado o maior levante popular desde o “fora Collor”, com a diferença de que, neste caso, a massa de gente não seguiu o comando de partido algum.

As maiores capitais do país pararam e assistiram milhares de pessoas clamando por um basta nos desmandos do Estado na suas vidas e finanças.  O povo bradava nas ruas “não são só R$ 0,20”, dando a entender que o aumento das passagens foi o ponto final de ebulição em uma seqüência de acontecimentos que levaram o brasileiro ao limite de sua tolerância.

As manifestações – com invasão de casas legislativas, cerco à Prefeituras, interrupção do tráfego em grandes capitais – atingiram o ponto de não retorno. Não é mais possível deitar, apagar as luzes e fingir que nada aconteceu.

Entretanto, eis que depois de uma semana de protestos, Prefeitos e Governadores no país inteiro resolveram baixar as tarifas de transporte público em valores que variam entre R$ 0,05 e R$ 0,20. Imediatamente a imprensa passou a afirmar que “o povo venceu”. Será?

Se o motivo da insatisfação era a corrupção endêmica no país, os impostos escorchantes, os serviços públicos sofríveis, os gastos injustificáveis com a Copa do mundo, a impunidade dos mensaleiros e tiveram apenas como estopim o aumento nas passagens de ônibus, o que podemos esperar, caso os protestos se encerrem após a redução das passagens?

Certamente a corrupção e a impunidade serão mais desabridas do que já são, os tributos continuarão a ser majorados - afinal, os R$ 0,20 de desconto na passagem têm que sair de algum lugar – os gastos injustificáveis com Copa do Mundo e outros exemplares do “pão e circo” permanecerão, gritando “trouxas” em nossos ouvidos. Mas nunca mais a classe política se esquecerá do tempero no feijão do jantar. É suficiente?

sábado, 2 de fevereiro de 2013

ESTÃO CHORANDO POR QUE? - Por Luciano Blandy

"A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é o interesse nacional. A ética é meio, não fim"

A frase acima foi dita ontem, pelo novo Presidente do Senado, o Senador Renan Calheiros. Poucos se deram conta o quão profunda essa frase é, e quanto ela traduz nosso espírito como sociedade. Me desculpem os que assinaram a tal lista de repúdio à candidatura do Senador, mas poucos representam melhor o que o brasileiro faz e pensa no seu dia-a-dia como o novo Presidente do Senado. Querem ver?
Comecemos destrinchando a frase acima.

Se a ética não é um fim, mas apenas um meio para atingir um objetivo (no caso, o interesse nacional), então ela pode ser substituída a qualquer momento se, como meio, não estiver se mostrando eficaz para atingir determinado fim. 

Se o leitor precisa chegar a um determinado endereço e, para tanto, necessita trafegar pela Marginal Pinheiros, ao constatar que a via está congestionada, adota um caminho alternativo. Da mesma forma, segundo Renan Calheiros, se é necessário alcançar um determinado "interesse nacional" que, por meios éticos, não se consegue, às favas com a ética. O que o Senador está propondo, na verdade, é que, para atingir o tal "interesse nacional", vale tudo: roubar, matar, corromper, etc. É uma edição modernizada da máxima segundo a qual, os fins justificam os meios.

E quem decide o que é e o que não é "interesse nacional"? O Senador Renan, oras bolas! Certamente era interesse nacional que nós, brasileiros, pagássemos a pensão da filha que ele teve fora do casamento, afinal, se tivesse que parar para pensar onde arrumaria dinheiro para sustentar a criança, deixaria de pensar em questões maiores, que envolvem o destino da Nação.

Não foi essa a justificativa inicial dos mensaleiros? "fizemos o que se faz sistematicamente no Brasil há quinhentos anos" - disse Lula na célebre entrevista concedida à uma jornalista na França. Traduzindo: Se não tivessem feito o que fizeram, não conseguiriam aprovar as medidas que eram importantes ao "interesse nacional". Quem decidia que medidas eram essas? Lula, oras!

Agora, vejamos se a frase do Senador não demonstra que ele é o político mais identificado com o brasileiro médio nos dias de hoje: Basta que troquemos o "interesse nacional" por objetivos mais, digamos, cotidianos.

"A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é chegar em casa. A ética é meio, não fim" (ao subornar um guarda após ser pego embriagado em uma blitz);


"A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é a alegria da galera. A ética é meio, não fim" (ao acender um sinalizador feito para espaços abertos em um local fechado);

"A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é manter meu lucro e pagar minhas contas. A ética é meio, não fim" (ao sonegar tributos, vender gato por lebre, descumprir contratos, etc); e,

"A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é conseguir uma dentadura nova. A ética é meio, não fim" (ao vender o voto, ou votar em quem não se conhece só porque a vizinha falou).

Renan Calheiros não chegou ao Congresso por conta de uma quartelada qualquer. Teve empresários que financiaram sua campanha e gente que votou nele, portanto, parabéns brasileiros. Dia a dia estamos, finalmente, moldando uma classe política que realmente corresponde àquilo que nós somos e pensamos. Poucos países no mundo tem esse privilégio.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

MAIS DO MESMO - Por Luciano Blandy

 
29 de setembro de 2006 - O voo 1907 da GOL é atingido em pleno ar por um jato Legacy pilotado por dois americanos que o conduziam aos Estados Unidos, causando a morte de 155 pessoas. Durante as investigações, foi constatada uma sucessão de erros e atos irresponsáveis, tanto dos pilotos do Legacy, quanto dos controladores de voo. Passados quase cinco anos da tragédia, maio de 2011 os dois pilotos foram "condenados" à prestação de serviços à comunidade nos Estados Unidos e um dos controladores de voo - Lucivando Tiburcio Alencar - também foi "condenado" à prestação de serviços à comunidade.

17 de julho de 2007 - Em meio a uma tempestade, o voo TAM 3054 que fazia a linha Porto Alegre-São Paulo, varou a pista do Aeroporto de Congonhas chocando-se com o prédio da própria companhia e causando a morte dos 187 ocupantes da aeronave, além de 12 pessoas no solo. Na época, levantou-se a hipótese de que o acidente teria sido causado por uma falha na reforma da pista do aeroporto, onde não fora instalado o grooving - aparato destinado a escoar a água das chuvas da pista, aumentando a aderência dos pneus das aeronaves no momento do pouso. Ao ser afastada essa possibilidade como a única causa do desastre, tornou-se famosa a imagem do Assessor Especial do Governo Federal - Sr. Marco Aurélio Garcia - fazendo gestos obscenos em comemoração ao fato de que o Governo, em tese, não teria responsabilidade pelo acidente. Em 19 de novembro de 2008, um inquérito de 13.600 páginas foi concluído, atribuindo a responsabilidade à cinco membros da ANAC, três diretores da INFRAERO e dois executivos da TAM. Ninguém foi punido. Marco Aurélio continua como Assessor especial do Governo Federal.

04 de janeiro de 2011 - Após a ocorrência de chuvas torrenciais, a região de Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi praticamente riscada do mapa por inúmeros deslizamentos e uma enxurrada gigantesca que causaram dezenas de mortes e deixaram milhares de famílias desabrigadas. Pessoas do Brasil inteiro se apressaram a doar cestas básicas, roupas e dinheiro às vítimas. Pouco depois, descobriu-se que parte do dinheiro doado havia sido desviado por ONGS que se diziam incumbidas de auxiliar os trabalhos de reconstrução da cidade e que grande parte dos alimentos doados, apodreceu em galpões da prefeitura sem chegar a quem deles necessitava. Até hoje ninguém foi punido pelos desvios e as cidades atingidas continuam "em reconstrução".

27 de janeiro de 2013 - Um incêndio de grandes proporções destruiu a Boate Kiss, na cidade de Santa Maria, causando a morte de mais de duas dezenas de jovens que ali se divertiam. Pelo pouco que se sabe até o momento, o local não possuía Alvará dos Bombeiros e encontrava-se possivelmente superlotado. O vocalista da banda que tocava no local teria acendido um sinalizador que acabou por incendiar o revestimento acústico instalado no teto da boate, que não foi controlado porque os extintores de incêndio não funcionaram. Ao tentarem escapar das chamas, os clientes descobriram que o local só possuía uma saída apenas, que encontrava-se bloqueada por seguranças que insistiam que todos pagassem a conta antes de sair. Aqueles que correram para o banheiro, na tentativa de escapar pela janela basculante ali existente, foram surpreendidos com uma parede de madeira bloqueando a saída.

É triste, mas é real. Ninguém será punido com algo mais do que algumas cestas básicas ou prestação de serviços à comunidade. Os dramas pessoais que tanto indignam a tantos neste momento, daqui quatro ou cinco anos quando, com sorte, os processos criminais forem concluídos, se converterão nos mesmos muxoxos de balcão de padaria de sempre: "Você viu que absurdo? Esse país não tem jeito mesmo".

Resta a pergunta: Como nós, como povo, como sociedade, chegamos a este ponto de frieza, de desumanidade?

Não é coincidência e nem obra desta ou daquela facção política. Trata-se de uma estratégia estruturada, de longo prazo implantada há mais de 40 anos, que agora alcança seus nefastos objetivos: Manter um povo ignorante, iletrado e, por isso mesmo, manso e amestrado. A imoralidade, falta de respeito por si próprio e pelo próximo e o clima de "cada um por si" são apenas efeitos colaterais esperados e aceitáveis.

O homem se distingue dos demais animais pela sua capacidade de transmitir conhecimento à geração futura que, por sua vez, o enriquece com seu próprio intelecto e o transmite, enriquecido, à próxima e assim por diante. Sem essa transferência, não nos diferenciamos muito de qualquer outro animal. Vivemos conduzidos por instintos básicos - viver, procriar, buscar o próprio sustento. É a cultura que nos coloca freios entre o que é admissível fazer e o que não é.

O espertalhão que acionou um sinalizador em um ambiente fechado não tinha, provavelmente, capacidade intelectual para raciocinar (usar a razão) sobre as consequências que poderiam advir deste ato. O segurança que barrou as vítimas, impedindo que fugissem do incêndio, é um autômato. O "patrão" só o paga para não deixar ninguém sair sem pagar, não para raciocinar (usar a razão).

A falta de cultura, a carência de educação de um povo trás como consequência inafastável, à qualquer classe social, uma geração amoral, sem limites. Mesmo os donos da boate, ou os responsáveis pelas outras tragédias citadas neste artigo, se condicionam a viver na base do "cada um por si". Ora, porque eu vou agir corretamente se o meu vizinho não age igual?

Fala-se em falta de fiscalização. Um povo educado não faz o certo porque o guarda não está olhando, faz o certo porque é o certo.

Vai mudar? essa nova tragédia (mais essa!) vai contribuir para que outras não ocorram? Duvido. Enquanto a sociedade não se der conta e verdadeiramente exigir que nossos recursos sejam revertidos primordialmente para a criação de um sistema educacional sério, não ideologizado e que dê condições intelectuais para que o indivíduo se aprimore cultural e moralmente, continuarão a se repetir os casos escabrosos, em que irresponsáveis ceifam vidas e ninguém é punido.

 

sábado, 14 de maio de 2011

JUVENTUDE ENGAJADA

- Alô, Bibi? É a Vanda.

- Oi migãã... iai.

- Menina, você vai no babado lá de Higienópolis?

- Então Van, não vai dar. Eu bati o Civic semana passada voltando da balada e acho que o meu pai não vai me emprestar a BM.

- Ah, vamos vai Bibi. Minha mãe leva a gente. O Marquinhos e Dudu vão estar lá...

- Ai.... O Marquinhos vai? Jura? Mas sua mãe não vai de Corsinha né? Maior bafão aparecer lá de carro 1000.

- O Marquinhos já confirmou sim. Minha mãe deixa a gente na esquina, ninguém vai ver. Vamos vai, senão o Marquinhos vai ficar segurando vela.

- Tá bom vai... Tem que levar alguma coisa?

- O Dudu me falou que é pra levar coisa que pobre come em churrasco... Aí eu não sei... pobre faz churrasco?

- Peraí [tapando o bocal do telefone] Mariaaaaaa!!!! Você já fez churrasco? [pausa] O que vocês comem? [pausa] que? Isso é de comer? Onde compra?[destampando o bocal do telefone] então migãã, a Maria deu umas opções: tem contra-filé, ponta de agulha,b...

- Ponta de que?? kkkkk Ela tá te zoando amiga. Onde compra isso?

- Ela disse que no açougue tem pra vender.

- Ai... vê se a sua mãe não deixa a gente levar a Maria. Aí ela compra os breguetes e fica mais facil né.

- Aí fica difícil Vandica. Minha mãe tá suuuuper brava com a Maria, porque ela não veio na quarta-feira passada e depois disse que o filho tava doente.

- Então tá, vamos nós no açougue. Ahh, o Dudu também falou pra levar uma cartolina ou um papel falando mal do Kassab e dos tucanos.

- Kassab? Quem é esse? E tucano não está ameaçado de extinção? O que eu vou escrever?

- Ai bibi... Você não existe. Kassab é o prefeito e tucano é aquele partido lá, que o pessoal fala que é ruim. O Dudu disse que o professor de geografia dele, o Tavinho, sabe, aquele que é o maior gato?

- Ai... sei [suspiros] abafa o caso... o que tem?

- Então, o Tavinho disse que o que tá acontecendo lá na Higienópolis é culpa do Kassab e dos tucanos. Isso só vai mudar quando uma mulher lá, que ele falou, for prefeita de São Paulo.

- Mulher? Que mulher? Não ganhou uma pra alguma coisa o ano passado?

- Não. É outra. Tem um nome meio tétrico: Presunta....Defunta... Morta... Não... Marta! é isso, Marta! Ele disse que ela tem que ganhar de qualquer jeito.

- Tá. Vou levar umas cartolinas e a gente pinta de batom lá mesmo. Que horas você passa aqui?

- Ah, daqui uma hora mais ou menos eu passo com a minha mãe pra te pegar.

- Que horas a gente volta, tipo umas 10?

- Nããão... tá louca! Vamos ficar lá tipo, umas duas horas, enquanto estiver bombando com a galera. Depois disso já viu né: Começa a juntar zé povinho e embaça a balada.

- Tá. To indo tomar um banho e te espero. Beijo migããã.

- Kisses kisses fofa.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

COMEÇOU CEDO....

Informação do Blog do Noblat:

Espancada em Brasília equipe do CQC

O repórter Danilo Gentili, um produtor e um cinegrafista da equipe do programa CQC foram espancados, há pouco, por seis agentes de segurança do Hotel Nahum, de Brasília, onde a presidente eleita Dilma Rousseff fazia seu primeiro discurso.

Dizem que as pessoas aprendem pelo amor ou pela dor. O brasileiro fez sua escolha e agora vai começar a aprender, como já aprenderam russos, poloneses, húngaros, tchecos, alemães, chineses, vietnamitas etc, que não se deve confiar nas belas palavras de comunistas.


sábado, 30 de outubro de 2010

Não chore: amanhã tem filme de carlitos

Por Carlos Vereza.

A última semana. Uma mentira repetida mil vezes... Frase mais que conhecida e assim mesmo inútil. Faca na pedra, afiada faca: amigos que se fanatizaram a tal ponto, que ainda os considero amigos, perdidos?

Espero que não. Mas que tenho a ganhar, senão a solitária calma, a honrada calma de olhar filhas e filho; esperar que compreendam que joguei a minha precária e louca estória para dar-lhes uma digna história, embora roubando à minh'alma a calmaria, a introspecção pretérita, em nome de uma causa, sem rosto, sem nada...

A honradez de um homem: e agora, José? Sua biografia sem mácula, contra uma patuscada, armada e "amada" por um povo dementado, guiado por um louco autoidolatrado, igualando e modificando fatos, segundo sua deformada imagem.

Os grandes homens, desapareceram na curva da memória; restou a farsa, a lança quebrada de retardatários Quixotes, sem moinhos, sem ventos, sem (principalmente...) Dulcinéias ou Rocinantes... Quem me dera, como Drummond, ter apenas duas maõs e o sentimento do mundo... Drummomd se foi... A rosa do povo se foi... Mas restaram os versos, agora, solilóquios sem platéia; não mais aplausos, somente urros, o medo, a esquina proibida, a cortina rasgada, o amor adiado... ele, o esperado...

Mas é preciso algum traço de dignidade, um guardanapo de linho, um travesseiro de penas, algo que dê algum sentido à um previsivel cotidiano em um país de sol a pino, langoroso, precocemente envelhecido.

Os intelectuais de gabinete, reclamam do melancólico oposicionista, honesto, de indisfarçáveis olheiras biografia inatacável, que importa? Perderam-se no jogo de espelhos, na busca do tempo perdido, no bonde perdido das perdidas ilusões; envelheceram com suas idéias, na projeção de um lider de papelão...

O timido José, é sóbrio, competente... Mas em Fevereiro tem carnaval... É preciso aumentar a geral do Maracanã, a banda larga, vai alargar a comunicação e diminuir o déficit de atenção, o que será uma rima mas não uma solução...

Enfim, escrevi um texto para mim mesmo; quem quer saber de bom senso? Se o digno homem de olheiras, não for eleito, nem textos mais teremos...Estaremos ao sabor do Grande Irmão, que cuidará dos nossos dias, cuidadosamente, permanentemente... talvez, eternamente...

Estamos Juntos!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ULTIMAS HORAS PARA EVITAR O PIOR...

Para muitos, o vídeo abaixo soará fantasioso, entretanto, os fatos ficcionais aí narrados decorrem pura e simplesmente da conclusão lógica que se pode esperar dos últimos acontecimentos relacionados ao PT e à sua canditata, somada a um pouquinho de conhecimento de história.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

MATANDO A COBRA E MOSTRANDO O PAU


Confesso que nos últimos dias tenho me sentido enojado com o caso dos “panfletos apócrifos que fazem campanha contra o PT e sua candidata”. O que me causa náuseas é justamente esta “definição” que os veículos de imprensa – ressalvadas algumas poucas e nobres exceções – têm dado a um panfleto produzido pela Regional Sul da CNBB.


É nojenta a manipulação da informação. Um periódico impresso chegou a divulgar a informação de que o documento teria sido elaborado pela “ultra direita” da igreja católica. No Brasil de hoje, por mais patético que seja, divulgar a verdade dos fatos é coisa de ultra direitista. Progressismo é tapear o povo induzindo-o a comprar gato por lebre. Nada espantoso em uma nação em que, mais importante é o 13º da esmola oficial do que ética e princípios.

Em uma democracia séria, os periódicos que têm divulgado a versão mentirosa já estariam às turras com centenas de processos judiciais por conta da publicidade enganosa – prometem informação e vendem enganação.

Também se mostra asquerosa a postura de algumas lideranças da Igreja Católica que, ao invés de apoiarem uma providência que se restringe a relatar fatos, se resumem a tirar o corpo fora, relegando o rebanho à sanha dos chacais. Como pastores de almas, esquecem-se que sua função não se resume a indicar o caminho, mas também e principalmente se prostrar entre o rebanho e seus predadores. Alguns membros da CNBB, ao que parece, preferem conchavar com a matilha e desfrutar com ela de um churrasquinho de ovelha, regado a samba e cerveja.

Esse blog tem poucos leitores mas compromisso com a verdade. Esse que vos escreve, “mata a cobra e mostra o pau”. Os poucos que o lêem terão a oportunidade de verificar – in loco – como têm sido ludibriados pela grande imprensa no que diz respeito aos tais panfletos.

Comecemos pela questão da autoria: Ao contrário do que parte da imprensa tem mencionado, ele não é apócrifo. Assinam o texto Dom Nelson Westrupp – Presidente do CONSER-SUL 1; Dom Benedito Beni dos Santos – Vice Presidente do CONSER-SUL 1; e Dom Airton José dos Santos – Secretário Geral do CONSER-SUL 1. Quando digo “assinam” remeto ao significado literal da palavra: Suas assinaturas estão escaneadas no documento.

Passemos agora ao conteúdo:

O panfleto enumera uma série de ações do Partido dos Trabalhadores em prol da descriminação do aborto. Este escrivinhador se deu ao trabalho de buscar provas documentais de TODAS as ações descritas no tal panfleto e, além de transcrever os documentos a que ele se refere, as indicará à vocês, leitores, os meios para que possam obtê-los na internet. Adiante:


APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS

Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,

  • considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto”...

O II Relatório Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos pode ser baixado no link http://www.rolim.com.br/2002/_pdfs/2RELATORIOBRASILEIRO1966.pdf

No item 45 deste documento pode-se ler:

45. A legislação brasileira ainda não se adequou plenamente às

recomendações do Plano de Ação da Conferência Mundial sobre a Mulher,

realizada em Beijing, em 1995 e que considerou o aborto um tema de

saúde pública. O governo brasileiro espera que o Congresso Nacional

possa apreciar um dos projetos em tramitação que pretendem corrigir a

abordagem repressiva e, sabidamente, ineficiente com a qual o aborto

segue sendo tratado”.

- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher”...

O documento entregue pelo governo Lula ao CEDAW da ONU pode ser baixado no link http://www.agende.org.br/home/Cedaw_ContraInforme_13julho_se.pdf

No item 92 do referido documento, está previsto que:

92. A Recomendação Geral nº. 24 do Comitê CEDAW estabelece que negligenciar o acesso a serviços de saúde que somente as mulheres necessitam é uma forma de discriminação contra as mulheres: “Parágrafo 14: Outras barreiras ao acesso das mulheres a uma assistência de saúde apropriada incluem as leis que criminalizam procedimentos médicos que somente as mulheres necessitam e que podem as mulheres que se submetem a tais procedimentos”.44 A existência de legislação punitiva coloca as mulheres em risco de morte materna por aborto inseguro no Brasil. O Comitê CEDAW, ao examinar o Relatório Nacional apresentado pelo Brasil em sua 29ª sessão (30 de junho a 18 de julho de 2003), recomendou ao Estado Brasileiro, em suas Observações Finais (parágrafo 52), que: “profundas medidas sejam tomadas para garantir o efetivo acesso das mulheres a serviços e informações com o cuidado da saúde, particularmente em relação à saúde sexual e reprodutiva, incluindo mulheres jovens, mulheres de grupos em desvantagem e mulheres rurais. Tais medidas são essenciais para reduzir a mortalidade materna e para prevenir o recurso ao aborto e proteger as mulheres de seus efeitos negativos à saúde (...).”.45


- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime”...

O PL 1135/91 pode ser conferido no site da Câmara dos deputados. Para facilitar, o link que remete diretamente ao texto é http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=16299

O resumo do projeto, tal qual disposto no site informa que:

"Proposição: PL-1135/1991

Autor: Eduardo Jorge - PT/SP e co-autores.

Data de Apresentação: 28/05/1991

Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário

Regime de tramitação: Ordinária

Situação: MESA: Aguardando Deliberação de Recurso.

Ementa: Suprime o art. 124 do Código Penal Brasileiro

Explicação da Ementa: Suprime o artigo que caracteriza crime o aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento; (liberalização do aborto); altera o Decreto-lei nº 2.848, de 1940. Co-autora: deputada Sandra Starling - Pt/Mg.

Indexação: Alteração, Código Penal, descriminalização, aborto, interrupção, gravidez.


- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto”...

O programa apresentado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 pode ser baixado no próprio site do PT, no link

http://www.pt.org.br/portalpt/dados/bancoimg/c091003193431plano_governo.pdf

Na página 30 do referido documento, lê-se:

Formular propostas de mudanças na legislação, para fiscalizar o cumprimento das leis que assegurem e ampliem os direitos da mulher”.


- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa”...

As resoluções do 3o Congresso do PT, realizado em 2007, podem ser baixadas no próprio site do partido, no link

http://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/arquivos/resolucoes3congresso.pdf

Na página 82 do referido documento, pode-se ler:

defesa da autodeterminação das mulheres, da discriminalização do aborto

e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando

assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria

pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade

do Estado no atendimento adequado às mulheres que assim optarem;”


considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto”...

A decisão do processo ético-disciplinar que puniu os dois deputados também pode ser encontrada no site do PT, no link

http://www.pt.org.br/portalpt/documentos/dn-suspende-direitos-partidarios-de-luiz-bassuma-e-henrique-afonso-254.html

Transcrevo em sua totalidade ambas as decisões, para que não reste dúvida:

Processo ético-disciplinar contra o deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA):

Considerando representação feita pela secretária nacional de Mulheres do PT, Laisy Morière, contra o deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA), e o relatório da Comissão de Ética tratando da infração disciplinar denunciada;

Considerando que o Estatuto do PT garante a todo e qualquer filiado o direito de manifestação pública sobre questões doutrinárias e políticas, sendo, portando, admissível que um militante petista se pronuncie contrariamente a uma posição partidária, desde que os faça respeitosamente e dentro dos limites éticos cabíveis;

Considerando, contudo, que o comportamento do deputado acusado não se limitou ao mero exercício do direito à liberdade de expressão, mas assumiu uma dimensão militante e agressiva contra diretriz definida em resolução do 3º Congresso Nacional do PT;

Considerando ainda que o deputado acusado em nenhum momento solicitou a discussão, nas instâncias competentes, a respeito da resolução do 3º Congresso sobre descriminalização do aborto, nem invocou o direito assegurado no Artigo 13, inciso XV do Estatuto partidário;

Considerando, finalmente, que o deputado acusado teve atitudes desrespeitosas e ofensivas à ética partidária em relação a militantes e parlamentares petistas que defendem a descriminalização do aborto, nos termos da resolução aprovada no 3º Congresso;

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, com base nos artigos 13, incisos XIV e XV; 14, incisos III e IV; 209, incisos I, II e VIII; e 210, parágrafo 4º do Estatuto partidário;

Resolve:

I. Aplicar a pena da suspensão das atividades partidárias pelo período de 1 (hum) ano;

II. Nos termos do Artigo 210, parágrafo 4º do Estatuto do PT, indicar como direitos e funções partidárias cujo exercício serão atingidos:

a) Suspensão do direito de participar na elaboração e na aplicação da política partidária, de votar e de ser votado em quaisquer instâncias partidárias, inclusive no âmbito da Bancada Federal;

b)
Determinação à Bancada Federal que proceda, de imediato, a substituição do deputado Luiz Bassuma na Comissão de Seguridade Social e da Família na Câmara dos Deputados.

III.
Recomendar ao deputado acusado que retire os projetos de Lei de sua autoria que contrariam a resolução do 3º Congresso”.

“Processo ético-disciplinar contra o deputado federal Henrique Afonso (PT-AC):

Considerando representação feita pela secretária nacional de Mulheres do PT, Laisy Morière, contra o deputado federal Henrique Afonso (PT-AC), e o relatório da Comissão de Ética tratando da infração disciplinar denunciada;

Considerando que o Estatuto do PT garante a todo e qualquer filiado o direito de manifestação pública sobre questões doutrinárias e políticas, sendo, portando, admissível que um militante petista se pronuncie contrariamente a uma posição partidária, desde que os faça respeitosamente e dentro dos limites éticos cabíveis;

Considerando, contudo, que o comportamento do deputado acusado não se limitou ao mero exercício do direito à liberdade de expressão, vindo a militar ostensivamente contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT sobre a descriminalização do aborto; nunca solicitando, na forma estatutária cabível, o exercício do direito assegurado pelo Artigo 13, inciso XV do Estatuto do PT;

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, com base nos artigos 13, incisos XIV e XV; 14, incisos III e IV; 209, incisos I, II e VIII; e 210, parágrafo 4º do Estatuto partidário;

Resolve:

I.
Aplicar a pena da suspensão das atividades partidárias pelo período de 90 (noventa) dias;

II. Nos termos do Artigo 210, parágrafo 4º do Estatuto do PT, indicar como direitos e funções partidárias cujo exercício serão atingidos:

a) Suspensão do direito de participar na elaboração e na aplicação da política partidária, de votar e de ser votado em quaisquer instâncias partidárias, inclusive no âmbito da Bancada Federal;

b) Determinação à Bancada Federal que o deputado Henrique Afonso não seja reconduzido à Comissão de Seguridade Social e da Família na Câmara dos Deputados.”


- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,

  • considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País”...

O PNDH III pode ser baixado no site do Ministério da Justiça, no link

http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf

A diretriz 9, do Objetivo Estratégico III, ação g, prevê:

Considerar o aborto como tema de saúde pública, com garantia do acesso aos serviços de saúde”

Já as resoluções do 4o Congresso do PT, estão disponíveis em um dos blogs ligados ao partido, no link http://pagina13.org.br/?p=496

A resolução tomada em relação ao PNDH III diz:

1. O PNDH3 é fruto de um extenso processo democrático de participação social na deliberação de políticas que refletem uma nova relação entre sociedade e Estado.

2. Em nosso país um grandioso processo de formulação de políticas públicas se fez e se faz por meio de conferências nacionais. A conferência Nacional de Direitos Humanos foi realizada em dezembro de 2008, antecedida de conferências estaduais e convocada pelo Presidente da República para atualizar o PNDH2.

3. Por ser de tema transversal, o PNDH3 incorpora temas de conferências nacionais de mulheres, igualdade racial, LGBTT, assistência social, criança e adolescente, idosos, pessoas com deficiência, educação, saúde, desenvolvimento agrário e outras.

4. O Brasil não aceita a dissociação entre os direitos democráticos e os direitos igualitários (econômicos, sociais e culturais). Direitos Humanos são indivisíveis e interdependes. O Partido dos Trabalhadores deu os primeiros passos, assumiu a bandeira dos direitos humanos e incorporou milhares de defensores. Direitos Humanos que se confundem com a própria democracia, devem ser protegidos e praticados por todos, independente de partidos e posições ideológicas.

5. O 4º. Congresso expressa seu apoio incondicional ao PNDH3, inclusive a proposição da comissão de verdade.

  1. O PNDH3 foi assinado pelo Presidente, endossado por 21 Ministros e redigido por mais de 15 mil pessoas. Consolida os avanços do PNDH1 (1996), PNDH2 (2002), e incorpora os novos direitos participativos, ambientais, a diferença, a verdade e a memória.

- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,

  • considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto”...

Notícia sobre o boicote à CPI do Aborto pode ser encontrada no site da Câmara dos Deputados, no link http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/DIREITOS-HUMANOS/129842-MULHERES-PEDEM-QUE-CPI-DO-ABORTO-NAO-SEJA-INSTALADA.html

Transcrevo a noticia:

Mulheres pedem que CPI do Aborto não seja instalada



Integrantes da bancada feminina da Câmara e de movimentos sociais pediram nesta quinta-feira, ao presidente Arlindo Chinaglia, que a comissão parlamentar de inquérito sobre o aborto clandestino no Brasil não seja instalada.

Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), incriminar as mulheres que precisam recorrer ao aborto não vai resolver o problema. "Esse tema não deve ser tratado como um caso de CPI, e sim de saúde. Nenhuma atitude policial contra as mulheres resolve essa questão, especialmente no caso daquelas que estão perdendo a vida e que, no desespero, encontram uma circunstância para a sua vida. Chega apenas de julgar e de não estender a mão", argumentou.

Já um dos autores do pedido de criação da CPI, deputado Miguel Martini (PHS-MG), rebate o argumento de que a investigação vai prejudicar as mulheres. "É o contrário. Estamos protegendo as mulheres. Qualquer aborto, mesmo com o maior cuidado, provoca um trauma irreversível, nos aspectos físico e psíquico. Portanto, quem praticar tem de ser punido. A vida é um bem supremo que só Deus dá e pode tirar", argumentou”.

Por fim, a recomendação:

RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto”.

Verifica-se, portanto, que o que a Regional Sul da CNBB fez, com a emissão dos panfletos, foi orientar seus fieis no sentido de que, entre os candidatos à presidência da República, há um cujo partido, durante nada menos do que quase uma década, tem agido incessantemente de forma a buscar a descriminação do aborto no Brasil.

Tendo em vista que é princípio da Igreja Católica repudiar o aborto, os signatários do documento estavam – mais do que exercendo um direito – cumprindo uma obrigação perante os fiéis, no sentido de orientá-los no caminho da fé cristã. Nenhum fiel é obrigado a cumprir o que vai dito no panfleto, que se identifica apenas como uma orientação àqueles que adotam a fé católica – o que também não é obrigatória – esclarecendo o posicionamento de um determinado candidato.

O que deveria preocupar e, ao contrário, é tratado como algo absolutamente normal, é que este documento, que simplesmente narra fatos históricos e absolutamente comprováveis, como observado acima, foi objeto de apreensão pelo aparato policial do Estado brasileiro.

Diante disso, saltam aos olhos duas conclusões irrefutáveis:

1 – É proibido no Brasil, durante o período eleitoral, esclarecer o povo brasileiro acerca do posicionamento dos candidatos e partidos que concorrem ao cargo de maior importância da nação. O povo deve ser mantido na ignorância acerca daquilo que pensa ou defende o partido e a candidata que se lança à empreitada de dirigir o país;

2 – Vivemos na pior das ditaduras: A ditadura dos bobos-alegres, em que um partido trata como criminosa a informação que lhe desagrade – ainda que seja verdadeira – e o povo se dirige, rindo e sambando equinamente, ao cadafalso.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

SE O BRASIL DESCOBRISSE O BRASIL - Capítulo II


Se o Brasil descobrisse o Brasil – Capítulo II


Exclusivo – Antropólogo explica o polêmico ato ecumênico de além mar



A última semana foi recheada de petardos entre governo e oposição em terras brasileiras, depois que veio a público a notícia de que o ato ecumênico previsto para ser celebrado nas novas terras descobertas pelo Brasil em além mar, se converteu em uma celebração aos moldes dos nativos daquelas paragens, com direito até mesmo a canibalismo.


Segundo o relatório de viagem que vazou para a imprensa, no dia 24 de abril estava prevista a realização de um ato ecumênico com a presença de um padre, um pastor e uma mãe-de-santo. A cerimônia visava celebrar o descobrimento e proporcionar o primeiro contato mais próximo com os nativos.


Na data dos fatos, contudo, por decisão do antropólogo da missão, professor Apanágio Melo, decidiu-se por adotar uma política de maior aproximação cultural com os indígenas da tribo tupinambás. Foi travado, então, contato com o cacique e o curandeiro da tribo e, como “demonstração de boa-fé” atribuiu-se a eles a condução da cerimônia religiosa, segundo sua própria cultura.


Após dançarem em volta de um totem completamente nus, os descobridores foram induzidos a provar uma beberragem típica, produzida com uma raiz típica da região, que os indígenas chamam de “mandioca”, misturada à saliva das mulheres da tribo.


Contudo, o ponto mais controverso da cerimônia se deu quando o cacique tupinambá determinou que se elegesse um membro da missão para servir de “alimento ao povo”. Segundo consta do relatório oficial, o sr. Genaro de Oliveira Silva, um grumete de 66 anos foi selecionado. O critério utilizado foi o da idade avançada do marinheiro, que foi amarrado, asfixiado, cozido em um grande caldeirão de barro e servido como iguaria aos presentes.


O relatório provocou a ira de diversas entidades brasileiras, levando os partidos de oposição, juntamente com a CNBB e a OAB a divulgarem Manifesto em repúdio aos métodos adotados pelos descobridores, e solidariedade à Dona Araci da Silva, viúva do grumete Genaro.


De outro lado, PT, UNE, CUT, MST e um grupo de antropólogos, sociólogos e filósofos da Universidade de São Paulo se reuniram em manifestação pública protestando “contra o imperialismo e a mídia golpista”. Segundo os manifestantes, setores conservadores da sociedade brasileira buscam, com o auxilio de órgãos da mídia, forçar uma política de dominação aos habitantes da agora chamada Terra Brasilis, o que não seria a missão dos descobridores.


Uma das lideranças intelectuais deste movimento é o professor e filósofo Iberê Costa. Mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo, Doutor em Sociologia e Antropologia pela Universidade de Brasília, o professor Iberê concedeu uma entrevista a este periódico:


HOJE EM FOCO – Professor, o Sr. tem se posicionado em defesa do ato realizado pelos exploradores em Terra Brasilis. Porque?

Veja bem meu caro, tudo parte de uma questão de princípios. O governo brasileiro tem uma visão progressista da exploração marítima, no sentido de não utilizarmos da nossa tecnologia, que permite desbravar os sete mares, em um contexto de dominação do homem pelo homem. Não podemos querer impor a nossa cultura a outros povos. O sentido das explorações navais brasileiras não é o de subjugar, mas sim o de integrar. Esse princípio de não discriminação foi o principal motivo, inclusive, para que se alterasse o nome inicialmente dado à terra descoberta de Terra Preta para Terra Brasilis. O primeiro nome soava muito depreciativo, discriminatório mesmo com nossos irmãos afrodescendentes.


HOJE EM FOCO – Mas algumas peculiaridades culturais destes povos, não deveriam ser contornadas pelos exploradores?

Certamente. Alguns costumes dos Tupinambás são realmente diferentes dos nossos e em certo contexto, podem ser considerados cruéis e avessos à nossa tradição democrática. Por exemplo: Segundo nos dá conta o professor Apanágio, na cultura deles existe um dado que é de uma crueldade ímpar, ao se constatar que entre eles somente tem direito a comer aquele que trabalha, ou seja, o indivíduo, de uma forma cruel, absurda mesmo, depende apenas de sí próprio para sobreviver. Não há um aparato social que o proteja se ele não puder ou não quiser trabalhar. Outro dado peculiar é que, entre os nativos, não há uma tradição democrática como há entre nós. Entre eles, somente o guerreiro mais forte, ou o ancião mais sábio pode pleitear a liderança da tribo, quando todos sabemos que isso é um preconceito que não permite que eles desfrutem de uma amplitude democrática como nós.


HOJE EM FOCO – E no entendimento do senhor, devemos nos integrar à essas peculiaridades?

Não necessariamente. Acreditamos que podemos transferir a esses nativos, uma consciência social e de classe que permita que eles mesmos percebam que posicionamentos individualistas, elitistas como esses que eu narrei não contribuem para a sua evolução enquanto nação indígena.


HOJE EM FOCO – Então, se a ideia é conscientizá-los, porque aderir a rituais tão atrasados como o canibalismo?

Veja bem, no caso de seus rituais religiosos, acreditamos que não é algo que nos diz respeito. Não podemos hierarquizar as manifestações culturais da forma imperialista que alguns setores conservadores da sociedade pretendem. Se para a sociedade brasileira, devorar outro ser-humano pode parecer grotesco, para eles também pode parece terrível que sacrifiquemos um peru para celebrar o Natal. São manifestações culturais que se equivalem.


HOJE EM FOCO – Mas para que participar de algo que para a sociedade brasileira é anti-natural?

O que deveríamos fazer? Bancar os imperialistas estadunidenses e dizimar toda a população indígena? A realidade é que quem protesta contra a participação brasileira no ritual religioso tupinambá, na realidade, defende que massacremos todos eles, o que é contrário à natureza humanista do povo brasileiro.

HOJE EM FOCO – O que o senhor pode dizer para consolar a viúva do grumete Genaro?

Posso dizer à dona Araci que ela deve ter a tranquilidade de saber que seu falecido esposo foi escolhido de uma forma justa, criteriosa e democrática. Não ocorreu qualquer tipo de favorecimento ou direcionamento na escolha.


HOJE EM FOCO – Segundo informado, o critério usado para a escolha levou em conta a idade do grumete. O professor Apanágio, contudo, tem 68 anos – dois a mais do que o sr. Genaro. Porque ele não participou do sorteio?

Ora, o professor Apanágio é uma sumidade em sua área. Como poderia ele ser levado ao sacrifício e privar toda a expedição de seus conhecimentos? Levantar e baixar âncoras, içar velas e limpar convés – o serviço de um grumete – qualquer um pode fazer. O direcionamento sociológico e antropológico do professor Apanágio, no contexto da missão, é insubstituível.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SE O BRASIL DESCOBRISSE O BRASIL - Capítulo I


Mini-série em 8 capítulos.



Capítulo I


Além Mar, 21 de abril de 2010 –

FLOTILHA DE DESCOBRIDORES ENCONTRA TERRA


Depois de enormes percalços em meio a um escândalo de superfaturamento, as Naus brasileiras encontraram terras no além-mar. Das 12 embarcações que partiram do porto de Santos, apenas quatro chegaram ao destino. As oito restantes se desfizeram no meio da viagem. Apesar da boa notícia, a oposição denuncia que o grande número de embarcações dissolvidas em alto mar é prova cabal de que as denúncias feitas por um ex-funcionário do estaleiro que as construiu, de que as mesmas foram fabricadas com lâminas de compensado, ao invés de madeira sólida, são procedentes. “Isso é um factóide criado pela oposição por conta da eleição”, afirmou o Ministro das Comunicações. O cientista marinho José da Silva concorda com a posição do Governo. “Nos últimos anos, temos observado um crescimento excessivo da acidez da água marinha, o que pode ter causado a dissolução das embarcações”. Apesar disso, o fato é que esta é a primeira vez na história da navegação mundial em que se registra a ocorrência do desmonte simultâneo de 8 naus, conduzindo cerca de cem pessoas cada uma, em pleno mar aberto.

Em meio à polêmica, o Presidente Lula decretou feriado nacional em comemoração à descoberta “Nunca antes na história deste país os brasileiros foram tão longe. Estamos prestes a nos tornarmos a maior nação do mundo em extensão territorial”. O Presidente aproveitou para alfinetar seus opositores: “Quando FHC comandou esse país, ele se contentava em ser grande na América Latina. Precisou um torneiro mecânico governar para que levássemos nossa cultura e nossa mensagem além-mar”.

EXPEDIÇÃO

O enviado especial deste jornal à expedição nos relata que as terras descobertas são vastas e cheias de matas verdejantes, com espécimes vegetais e animais nunca antes encontradas em lugar algum. A comissão de meio ambiente que integra a missão já baixou a primeira norma da nova terra, proibindo desmatamento. Foi determinada uma pequena área onde os colonos – cerca de 400 – desembarcarão e instalarão seu primeiro assentamento. A região descoberta está sendo chamada de Terra Negra por conta da cor escura de seu solo.

NATIVOS

Foi verificada a existência de um povo nativo na região. Segundo relato de nosso enviado, essas pessoas possuem a pele mais avermelhada e cultivam o costume de andarem completamente nuas. Ainda não foi travado nenhum contato com a população nativa, o que está programado para acontecer em dois dias, quando será celebrado um culto ecumênico – com um Padre, um Pastor e uma Mãe-de-Santo - em homenagem ao descobrimento.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sem choro nem vela


Quem presta um pouquinho de atenção na realidade política brasileira, já pode antever o discurso da nata ignara daqui um ano. Confirmado nas urnas o que as pesquisas mostram, a ladainha de sempre será ouvida: “Político é tudo igual, promete uma coisa e entrega outra”; “O PT traiu suas origens”; “Dilma não presta”; “os Deputados não prestam”; “os Senadores não prestam”, e o mesmo discurso “coitadista” de sempre.

O brasileiro acostumou-se com o papel de eterno cidadão de boa-fé que – coitadinho – é constantemente enganado, explorado, espoliado por políticos de fala mansa que “só aparecem de quatro em quatro anos para pedir voto”.

Nesta eleição, feliz ou infelizmente, o discurso vai finalmente soar como o que realmente é: Muxoxo de um povo que tem se aprofundado cada vez mais na venalidade e que desde a chamada redemocratização, insiste em brincar com o perigo.

Não soarão hipócritas os brados indignados de repórteres e jornalistas em geral, diante da imposição de censura, fechamento de órgãos de imprensa e perseguição destes profissionais? Ora, o PT vem, há oito anos anunciando ao som de trombetas qual o destino pretende dar à este setor da sociedade. Anunciou em seu IV congresso, organizou a tal CONFECOM, de onde saiu um sem número de propostas neste sentido, às incluiu no PNDH III e até mesmo no programa de governo de sua candidata à presidência. Ainda assim, a chamada mídia manteve-se inerte e cheia de dedos. Soaria muito “tucano” chamar a coisa pelo nome que ela tem: Censura. No momento em que jornalistas começarem a ir em cana por conta de seu ofício, será o primeiro caso na história do mundo em que burrice dá cadeia.

Não será patético ouvir de empresários que hoje cobrem petistas de reverências e salamaleques, a acusação de incompetência, no momento em que a conta dos gastos absurdos com a máquina pública começarem a cobrar seu preço sob a forma de quebradeira geral? Não é de hoje que economistas mundo afora advertem que o Brasil tem elevado seus gastos correntes de forma irresponsável, chocando um ovo de serpente que irá cobrar seu preço.

A auto-proclamada oposição, que de oposição não tem nada, poderá assistir de camarote – talvez com direito a duas refeições diárias e uma hora de banho de sol (como bem sabe o Sr. Penã Eclusa da Venezuela) – que a “estratégia” desenvolvida em 2005, no ápice do escândalo do mensalão, de “sangrar” Lula até as eleições, talvez não tenha sido tão brilhante. Também não poderão se dizer enganados. Se forem honestos, se recolherão à sua insignificância intelectual.

Também não poderão reclamar os militares. Seus reclamos, na realidade, já soam patéticos hoje. Em vinte e cinco anos à frente do governo, se jactam de terem construído estradas, pontes, hidroelétricas, de mandarem “prender e arrebentar”, de terem “vencido o comunismo”, etc, quando na verdade bastava um único e singelo investimento : Educação.

Ao invés disso, sob o pretexto de barrar a subversão, criaram o campo fértil sem o qual o tal “comunismo” não se cria: Ignorância. Tivessem investido no aprimoramento intelectual do povo – esse que certa elite nacional despreza como meros outorgantes das demandas nacionais – e faltaria ao PT a massa de manobra da qual se utilizam para impor suas demandas e seus candidatos. Com medo do Brizola – pobre Brizola – nos deram Lula. Agradeçamos ao Golbery.

As forças armadas têm conhecimento, desde sempre, da existência do Foro de São Paulo, de seus objetivos e da íntima ligação entre seus membros (leia-se FARCS – PT). Não moveram uma palha para fazer cessar o vilipêndio da nação brasileira, cuspindo no juramento que proclamaram ante o pendão nacional.

Quando brasileiros foram expulsos do Estado brasileiro de Roraima por conta da malfadada criação da reserva Raposa Serra do Sol, um único militar ousou se levantar contra isso: O General Augusto Heleno. Ao que se saiba, nenhuma voz se levantou em coro aos seus brados. Tal qual funcionários públicos fardados, preferiram garantir seus vencimentos e aposentadorias. Do que reclamarão daqui um ano, sem também que se sinta o cheiro nauseabundo da hipocrisia?

Então fica assim: teremos uma terrorista que se orgulha de seus feitos terroristas na presidência; como Senadores por São Paulo, uma socialite que, diante de uma calamidade como foi o “caos aéreo” sugere ao povo que “relaxe e goze” e um pagodeiro que bate em mulher; e como Deputado Federal, um palhaço assumido que faz questão de dizer que não sabe sequer o que vai fazer se eleito, além de conquistar outra vaga para um mensaleiro.

Diante deste cenário, o brasileiro está conquistando o direito de usufruir das consequências de suas escolhas nefastas, sem choro nem vela.